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🔥 Troca de cilindro de gás em empilhadeira dá direito a adicional de periculosidade? Entenda seus direitos

  • Foto do escritor: Thiago Freitas
    Thiago Freitas
  • 17 de abr.
  • 4 min de leitura

📌 Introdução: uma realidade comum nas indústrias e centros logísticos


Se você trabalha como operador de empilhadeira em indústrias, armazéns ou centros de distribuição em Ribeirão Preto, Grande São Paulo ou outros polos logísticos, é bem provável que já tenha realizado — ou ainda realize — a troca de cilindros de gás (GLP) das empilhadeiras.


Essa atividade, muitas vezes tratada como algo “rotineiro” pelas empresas, envolve riscos relevantes. E é justamente nesse ponto que surge uma dúvida muito comum:


👉 A troca de cilindro de gás gera direito ao adicional de periculosidade?


A resposta, na maioria dos casos, é sim — e muitos trabalhadores deixam de receber esse direito por desconhecimento ou por condutas equivocadas das empresas.



⚖️ O que diz a lei sobre periculosidade?


O adicional de periculosidade está previsto no artigo 193 da CLT, que estabelece:

São consideradas atividades ou operações perigosas aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude da exposição permanente a inflamáveis, explosivos ou energia elétrica.

No caso das empilhadeiras movidas a gás GLP, estamos diante de um agente inflamável, o que já acende o alerta jurídico.

Além disso, a NR-16 (Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho) também trata expressamente das atividades com inflamáveis como potencialmente perigosas.


🚧 Troca de cilindro de gás: atividade de risco?

✔️ Entendimento técnico e jurídico


A troca de cilindro de gás não é apenas uma atividade mecânica simples. Ela envolve:

  • Manuseio direto de recipiente contendo gás inflamável

  • Possibilidade de vazamentos

  • Risco de explosão ou incêndio

  • Exposição direta ao agente perigoso


Mesmo que a operação dure poucos minutos, o risco é real e significativo.


🧠 O que diz o TST sobre o tema?


O Tribunal Superior do Trabalho já consolidou entendimento relevante sobre o assunto, especialmente no Tema 87, no qual se reconhece que:


👉 Ainda que o tempo de exposição seja reduzido, o adicional de periculosidade pode ser devido, desde que haja contato com inflamáveis em condições de risco.

Isso é extremamente importante.


Muitas empresas tentam negar o direito com argumentos como:


  • “A troca é rápida”

  • “Não é atividade principal”

  • “O trabalhador não fica exposto o tempo todo”


⚠️ Porém, a jurisprudência tem afastado esse tipo de argumento quando há risco efetivo.


🏭 Situação comum em Ribeirão Preto e Grande São Paulo


Nos polos industriais e logísticos dessas regiões, é muito comum que:


  • O próprio operador de empilhadeira faça a troca do cilindro

  • Não haja equipe especializada para essa função

  • A atividade seja realizada diversas vezes ao longo da semana


👉 Na prática, isso significa que o trabalhador está sendo exposto a risco de forma habitual, ainda que por períodos curtos.


📊 Exemplo prático do dia a dia


Imagine a seguinte situação:


Um operador de empilhadeira em um centro logístico realiza a troca de cilindro de gás 2 a 3 vezes por semana.


Durante essa atividade, ele:


  • Desconecta o cilindro vazio

  • Remove manualmente o recipiente

  • Instala um novo cilindro cheio

  • Verifica possíveis vazamentos


Mesmo que essa operação leve 10 a 15 minutos, há contato direto com inflamável.


👉 Nesse cenário, a Justiça do Trabalho tem reconhecido o direito ao adicional de periculosidade.


❌ Principais erros cometidos pelas empresas


Na prática, algumas condutas empresariais são bastante recorrentes:


1. Não pagamento do adicional


Empresas simplesmente ignoram o risco da atividade.


2. Alegação de tempo reduzido


Tentam afastar o direito alegando que a exposição é eventual.


3. Ausência de treinamento adequado


O trabalhador realiza a troca sem capacitação específica.


4. Falta de documentação técnica


Não há laudos adequados (LTCAT, PPRA/PGR) considerando a atividade real.


5. Transferência indevida de função


O operador é obrigado a realizar atividade que aumenta seu risco sem qualquer compensação.


🛡️ O uso de EPI elimina o direito?


Essa é outra dúvida muito comum.


No caso da periculosidade por inflamáveis, o fornecimento de EPI não elimina o risco.

Diferente da insalubridade, onde o EPI pode neutralizar o agente, na periculosidade o risco permanece.


👉 Ou seja: mesmo com EPI, o adicional pode ser devido.


📌 Quando o trabalhador tem direito ao adicional?


De forma geral, o adicional de periculosidade será devido quando:


  • Houver contato com inflamáveis (GLP)

  • A atividade envolver risco real

  • A exposição ocorrer ainda que de forma intermitente

  • A troca de cilindro fizer parte da rotina de trabalho


O valor corresponde a 30% sobre o salário base, conforme previsto na CLT.


📎 O que o trabalhador deve fazer nessa situação?


Se você se identificou com essa realidade, alguns passos são importantes:


✔️ 1. Observe sua rotina


Você realiza a troca de cilindro com frequência?


✔️ 2. Verifique seu contracheque


Existe pagamento de adicional de periculosidade?


✔️ 3. Guarde provas


  • Conversas

  • Ordens de serviço

  • Testemunhas

  • Fotos (quando possível)


✔️ 4. Busque orientação jurídica


Cada caso precisa ser analisado de forma individual.


📍 Importância da análise do caso concreto


Nem toda situação será idêntica.


Fatores como:


  • Frequência da atividade

  • Forma de execução

  • Condições do ambiente

  • Existência de laudos


👉 influenciam diretamente no reconhecimento do direito.


Por isso, uma avaliação técnica é essencial.


✅ Conclusão: direito muitas vezes ignorado


A troca de cilindro de gás em empilhadeiras é uma atividade comum no setor industrial e logístico, mas que envolve risco significativo.

Apesar disso, muitos trabalhadores deixam de receber o adicional de periculosidade por falta de informação ou por práticas equivocadas das empresas.


👉 O entendimento atual da legislação e da Justiça do Trabalho tende a reconhecer esse direito quando há exposição ao risco, ainda que por períodos curtos.


📲 Orientação final


Se você atua como operador de empilhadeira e realiza a troca de cilindros de gás, vale a pena entender melhor sua situação.



Uma análise adequada pode esclarecer se há valores a serem recebidos ou direitos que não estão sendo respeitados.

 
 
 

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